Amor · Viver

Saber deixar partir

Há quem defenda que o amor é isso mesmo.
Respeitar a liberdade do outro é um acto de amor. Dou o exemplo dos pais que vêem crescer os filhos e que depois os vêem sair de casa para viverem as suas próprias vidas.

Saber deixar partir é ter a convicção intrínseca de que tudo é efémero, ou de que nada é eterno; a consciência plena de que todas as histórias tem um princípio e um fim, até mesmo as de amor. Pena é que a maior parte das pessoas não possua a maturidade emocional necessária para “saber deixar partir”. São essas pessoas com “mau perder” que exterminam muitas vezes o amor, apagando todas as recordações dos momentos bons e tornando a vida do outro num verdadeiro inferno.

Por outro lado, aquilo que me é dado a observar numa grande parte dos casais que mantêm um relacionamento de aparências é o seu sentimento de posse no lugar onde deveria existir o sentimento de cumplicidade.
Ninguém pertence a ninguém, cada pessoa é única e basta-se a si mesma, tentar moldar a personalidade do outro é limitar a sua própria oportunidade de amar na sua essência; ninguém pode sentir-se feliz ou fazer outrem feliz se não poder expressar livremente o seu eu.

Saber deixar partir requer tanta preparação como saber partir. Quase sempre quem não sabe deixar partir e quem não sabe partir é movido pelos mesmos motivos: o medo de ficar só, a incapacidade de sentir-se independente, o medo de não ser socialmente aceite…

Uma relação de amor é como uma intervenção cirúrgica onde os sinais vitais deverão prevalecer sobre todas as coisas. Deve lutar-se sempre pela sobrevivência de uma relação, mas quando se chega à conclusão de que já se tentou com todas as forças e não se conseguiu, há que ter a coragem de deixar partir ou mesmo de partir, caso contrário, corre-se o risco de culpar o outro pela nossa infelicidade.

Muitos de nós, assistem assim, impávidos e serenos à morte do amor, muitas vezes camuflada por um casamento. Ofuscados pelo brilho da taça içada bem alto no dia da boda, muitos esquecem-se que a mesma está, não raras vezes, erguida sobre um monte de cinzas.

(Autor desconhecido)

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